Arquivo de Março, 2008

Turismo e bem-estar

Março 26, 2008

Organizar o território turístico da Comunidade

(Publicado no Jornal de Abrantes em Mar 2008)

    Há uns anos atrás houve, certamente, alguns estudiosos da preservação do meio – ambiente e da qualidade de vida dos cidadãos, que organizou o território de forma a concentrar indústrias num lado, e comércio e serviços noutros locais das aldeias, vilas e cidades. Assim se acabaram (e ainda bem) as pequenas oficinas de bairro para dar lugar aos parques industriais em zonas para esse fim criadas. Assim se reduziu a poluição sonora.   Esse mesmo hipotético grupo de estudiosos aconselhou, se calhar, a dispersão do turismo pelos vários pólos populacionais, partindo do pressuposto de que o turista se quer misturar com os visitados  para se cultivar, absorvendo os seus usos e costumes, que vai divulgar e tipificar junto da comunidade onde habitualmente reside e trabalha.Daí que, à semelhança das zonas industriais, irem também surgindo os parques de animação onde se concentram bares e discotecas, cafés e tascas abertos até de madrugada. E assim todos ficam satisfeitos: quem quer ir para a naite vai, quem quiser sossego, este é-lhe assegurado.   É claro que este era um grupo de estudiosos que, se calhar, de nada percebiam de turismo, tal como hoje há engenheiros, doutores, políticos, que, uma vez sentados na alta cadeira do poder, começam a debitar para o maralhal sábias dissertações sobre o fenómeno turístico e a necessidade de animação para o manter (leia-se, no seu vocabulário, bebedeiras até de madrugada, música de abanar o capacete e rebentar com os tímpanos).   Para além de ir de encontro ao respeito pela lei do silêncio, a visão destes estudiosos veio, de certa forma, beneficiar o turismo, que estes sábios pùblicamente defendem, mas que não o cultivam porque não precisam dos seus votos.Eu não entendo, reconheço,aliás, que não conheço a lei, onde está a moralidade e, se calhar, a legalidade  dos políticos que concedem licenças de funcionamento para além da hora do silêncio. Não é pelos estabelecimentos em si, mas sim porque “in vino verita est” o stress e revolta dos nait users vem ao de cima em altos decibéis verbais, radiofónicos ou aceleradelas motorizadas a altas horas da noite, contrariando mesmo, a opinião da maioria dos residentes permanentes e potenciais residentes ocasionais, chamados a se pronunciarem. …/…    Agora que foi revista a lei das Regiões de Turismo, e reduzido o número das existentes, está na altura de as comunidades urbanas organizarem a casa e decidirem o que querem, pois têm de contratar um novo grupo de estudiosos (não é preciso chegar aos sábios) públicos e privados, para o planeamento do território e para a definição dos eixos de desenvolvimento, e promoção dos produtos turísticos.Posso já adiantar o pouco que um curioso me disse:

Produto 1: Parques e MiradourosBonito, Parque natural do Boquilobo, Parque Ambiental de Santa Margarida, Parque temático da Barquinha, Penedo Furado, Picoto da Milriça.

Produto 2: História e TradiçõesCastelos de Almourol, Abrantes, Ourém, Mosteiro da Batalha, Convento de Cristo,                 Gastronomia, Vinhos  e Sabores.

Produto 3: Desporto e Aventura:  Trilhos no Zêzere, passeio ribeirinho do Tejo, Canoagem, Hipismo 

Produto 4: Animação no PAT (Parque de animação turística):   Festival hip-hop, Festival Noites de Verão (Jazz e Blues),  Violas, fados e guitarradas,  Teclas e música clássica. 

Oiçam o saber do povo, conversem com os visitantes, e hão-de ver que se faz luz, mesmo nas mentes mais obscuras.

Que promoção turistica

Março 10, 2008

ONDE ESTÁ A PROMOÇÃO TURÍSTICA ?

Por: Luís Gonçalves *

info@constancia.net

 (Publicado no Jornal de Abrantes em 2007)

Duas notas de acontecimentos dignos de relevo na promoção turística do Ribatejo:

   Primeira: Decorreu de 24 a 28 de Fevereiro, entre Pego e Abrantes, a Prova de Orientação a pé, que reuniu milhares de participantes nacionais e estrangeiros, oriundos da Suécia, França, Reino Unido, Polacos, etc. de várias faixas etárias. O vencedor de uma das categorias foi um cidadão britânico que permaneceu em Constância durante 5 dias.

   Tomaram conhecimento do acontecimento e dos locais que proporcionavam alojamento, através da Internet.

   Ao fim da tarde, o Café da Praça em Constância era o local de encontro dos participantes na prova que ficaram alojados na Casa João Chagas.

   Por comentários que chegaram até mim, a Federação Portuguesa de Orientação está de parabéns na organização.

   De 28 de Fevereiro a 5 de Março foi realizada nova prova em Mora.

Segunda: A primeira volta em ciclismo ao distrito de Santarém em bicicleta decorreu de 9 a 12 de Março, cujas etapas foram: Fátima-Torres Novas, Cartaxo-Abrantes , contra relógio em Alpiarça e a ultima etapa, dia 12, entre Golegã e Santarém.

   Com o empenhamento do Sr. Governador Civil de Santarém, houve a preocupação dos organizadores de aproveitarem a ocasião para a promoção dos produtos turísticos do Ribatejo, nomeadamente os seus vinhos.

   Uma nota comum negativa a estes dois importantes acontecimentos: o divórcio entre as organizações e qualquer Região de Turismo da zona, o que me faz questionar da sua verdadeira utilidade…

Histórias d’Hotel « Lgonzalik’s Weblog

Março 9, 2008

O Prace

Março 9, 2008

Aplaudo cautelosamente o PRACE (Publicado no Jornal de Abrantes)

Por: Luís Gonçalves *

info@constancia.net

   O Governo nomeou a Comissão PRACE (Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado) que, corajosamente, levou ao anúncio da eliminação de 187 Organismos dos 518 existentes.

   O que eu e muitos portugueses esperamos é que, mais tarde, não venha outro elenco governamental  refazer tudo outra vez, para mostrar serviço. A realidade é que o faz, desfaz, legisla, revoga, deixa os agentes económicos numa situação de incerteza.

   O Estado tem que ser reorganizado definitivamente num Organigrama, cujos Governos, daqui para a frente, não possam alterar sem a aprovação por mais de 75% dos deputados da Assembleia da República. Quem não gostar, que não se candidate às eleições legislativas.

   A Comissão PRACE deve ser composta por um conjunto de gestores modernos, com uma grande capacidade de análise económico-financeira, mas sem grande conhecimento das especificidades de cada sector.

   Dou alguns exemplos de decisões que terão de ser revistas:

a)      O número de  Regiões de Turismo deveria ser reduzido e re-estudado o seu raio de acção e competências, deveriam ser despolitizadas  e não brutalmente   eliminadas..

b)       Passar a competência do INFTUR (Instituto de Formação Turística) que eu conheci, há quase 4 décadas como Centro Nacional de Formação Turística e Hoteleira para o IEFP,  não é recomendável.. O IEFP pode ser muito bom a dar cursos para desempregados que assim continuam após os terminarem. Por experiência própria adquirida no acompanhamento de estagiários em hotéis por onde passei, levam-me a concluir que as técnicas nada têm que ver com a Formação específica e Cursos de Aperfeiçoamento do INFTUR e das Escolas Hoteleiras por ele coordenadas. Esta opinião é partilhada por milhares de responsáveis de empresas hoteleiras.

c)      O assassínio da centenária DGT (Direcção-Geral do Turismo) vai prejudicar todos, e, inclusivamente o consumidor.

      A D.G.T, tal como a conhecemos hoje, foi criada em 1968 como uma sucessão natural da Secretaria Nacional da Informação, mas remonta à Repartição do Turismo que, em 1911 nasceu no seio do então Ministério do Fomento…

      Apetrechada dos melhores técnicos, a DGT desempenhou um importantíssimo papel da projecção de Portugal em todos os cantos do mundo, paralelamente a uma acção de fiscalização e inspecção interna que tinha tanto de exigente como de pedagógica.

     A  repartição das suas competências de licenciamento e inspecção pelas cinco Direcções Regionais de Economia vai derrubar o padrão uniforme no licenciamento, classificação e  inspecção dos empreendimentos hoteleiros, dado que, naturalmente, haverá diversidade de critérios em cada região, que defraudarão, certamente, o consumidor, que espera o mesmo padrão em todo o território nacional.

          Teria algumas histórias a contar no meu contacto com ex-inspectores da DGT na década de 80/90, que confirmam o seu empenhamento na intransigente defesa da qualidade, e na sua preocupação pedagógica junto dos responsáveis hoteleiros.

 * Autor do livro Histórias d’Hotel