Organizar o território turístico da Comunidade
(Publicado no Jornal de Abrantes em Mar 2008)
Há uns anos atrás houve, certamente, alguns estudiosos da preservação do meio – ambiente e da qualidade de vida dos cidadãos, que organizou o território de forma a concentrar indústrias num lado, e comércio e serviços noutros locais das aldeias, vilas e cidades. Assim se acabaram (e ainda bem) as pequenas oficinas de bairro para dar lugar aos parques industriais em zonas para esse fim criadas. Assim se reduziu a poluição sonora. Esse mesmo hipotético grupo de estudiosos aconselhou, se calhar, a dispersão do turismo pelos vários pólos populacionais, partindo do pressuposto de que o turista se quer misturar com os visitados para se cultivar, absorvendo os seus usos e costumes, que vai divulgar e tipificar junto da comunidade onde habitualmente reside e trabalha.Daí que, à semelhança das zonas industriais, irem também surgindo os parques de animação onde se concentram bares e discotecas, cafés e tascas abertos até de madrugada. E assim todos ficam satisfeitos: quem quer ir para a naite vai, quem quiser sossego, este é-lhe assegurado. É claro que este era um grupo de estudiosos que, se calhar, de nada percebiam de turismo, tal como hoje há engenheiros, doutores, políticos, que, uma vez sentados na alta cadeira do poder, começam a debitar para o maralhal sábias dissertações sobre o fenómeno turístico e a necessidade de animação para o manter (leia-se, no seu vocabulário, bebedeiras até de madrugada, música de abanar o capacete e rebentar com os tímpanos). Para além de ir de encontro ao respeito pela lei do silêncio, a visão destes estudiosos veio, de certa forma, beneficiar o turismo, que estes sábios pùblicamente defendem, mas que não o cultivam porque não precisam dos seus votos.Eu não entendo, reconheço,aliás, que não conheço a lei, onde está a moralidade e, se calhar, a legalidade dos políticos que concedem licenças de funcionamento para além da hora do silêncio. Não é pelos estabelecimentos em si, mas sim porque “in vino verita est” o stress e revolta dos nait users vem ao de cima em altos decibéis verbais, radiofónicos ou aceleradelas motorizadas a altas horas da noite, contrariando mesmo, a opinião da maioria dos residentes permanentes e potenciais residentes ocasionais, chamados a se pronunciarem. …/… Agora que foi revista a lei das Regiões de Turismo, e reduzido o número das existentes, está na altura de as comunidades urbanas organizarem a casa e decidirem o que querem, pois têm de contratar um novo grupo de estudiosos (não é preciso chegar aos sábios) públicos e privados, para o planeamento do território e para a definição dos eixos de desenvolvimento, e promoção dos produtos turísticos.Posso já adiantar o pouco que um curioso me disse:
Produto 1: Parques e MiradourosBonito, Parque natural do Boquilobo, Parque Ambiental de Santa Margarida, Parque temático da Barquinha, Penedo Furado, Picoto da Milriça.
Produto 2: História e TradiçõesCastelos de Almourol, Abrantes, Ourém, Mosteiro da Batalha, Convento de Cristo, Gastronomia, Vinhos e Sabores.
Produto 3: Desporto e Aventura: Trilhos no Zêzere, passeio ribeirinho do Tejo, Canoagem, Hipismo
Produto 4: Animação no PAT (Parque de animação turística): Festival hip-hop, Festival Noites de Verão (Jazz e Blues), Violas, fados e guitarradas, Teclas e música clássica.
Oiçam o saber do povo, conversem com os visitantes, e hão-de ver que se faz luz, mesmo nas mentes mais obscuras.