Arquivo de Abril, 2008

Casa própria por 15 Euros por dia

Abril 20, 2008

Casa própria por 15 Euros por dia ?

Vou viver para a França…

 

Por: Luís Gonçalves

(tradução jornal l’internaute)

   Medida anunciada em Fevereiro, a ministra francesa da habitação, Christine Boutin, lançou, em 15 de Abril passado, o seu plano a minha casa por 15 Euros por dia.

   Destinado a promover a oportunidade de ser proprietário, esta medida permite às pessoas singulares, que se enquadrem nos critérios de elegibilidade, adquirir um imóvel novo pelo valor equivalente a uma renda habitacional, ou seja, 450 Euros por mês.

    Como é que isso funciona ?

   Por  15 euros por dia, ( 450 euros por mês) ,o objectivo é permitir às famílias modestas tornarem-se proprietárias de uma vivenda personalizada, dotada de sistemas para economizar energia, e acesso à Internet. Estas casas dirigem-se aos casais que desejam comprar a sua primeira vivenda para habitação principal, sendo pais de, pelo menos, um filho, e que tenham um rendimento liquido entre 1500 e 2000 Euros por mês.

   Este plano será financiado por medidas específicas, nomeadamente aplicação de apenas 5,5% de IVA no custo da construção e do terreno. As colectividades locais e autarquias têm também um papel a desempenhar : Compete efectivamente às juntas de freguesia e câmaras municipais colocar à disposição dos interessados os terrenos desocupados com uma área mínima de 250 m2. O pagamento é facilitado pelo Pass-Foncier, um dispositivo de crédito que permite o reembolso em 2 etapas : primeiro a vivenda e depois o terreno, e por um crédito à taxa zero. O investimento total representa cerca de 170.000 Euros.

As críticas

 

    Daqui até ao fim do ano  Christine Boutin espera ver nascer 5000 casas por causa do dispositivo “15 euros par jour”. Apenas ainda lançado, este projecto é já alvo de críticas.
    Particularmente, o Conselho Nacional da Ordem dos arquitectos reagiu, classificando o projecto como uma falsa boa ideia. Considera este tipo de habitação uma pobreza a nível de arquitectura e de ambiente.

   Outra critica tem a ver com o prazo de reembolso. Os proprietários devem reembolsar a casa durante 23 anos a 455 euros por mês, além de despesas financeiras. Depois desta etapa terminada, começa a do pagamento do terreno por uma soma sensivelmente igual durante 15 anos. Andam 38 anos a pagar a casa.

 
… mas estou 38 anos atrazado.

 

Ouvi em noticia que em Portugal querem alargar o prazo de empréstimo do credito à habitação por 50 anos.

De Cartago ao Carago

Abril 20, 2008

De Cartago ao Carago

Por: Luís Gonçalves

 

   Por volta do ano 240 a.c. os Cartagineses – provenientes de Cartago ocuparam a região que mais tarde, os Romanos viriam a chamar Hispânia, de onde nós descendemos. Por essa altura os hispânicos deviam dizer: Estes gajos são do Carthago. De modo que, para lhes darem a entender que não eram bem-vindos, ou que estavam indignados com a ocupação, os hispânicos diriam: Vai p´ró carthago, ou seja, vai para a tua terra e não nos chateies.

   Diferente origem tem a história do bébé. Quando o pai foi registar o recém-nascido, não tinha dois dentes da frente, e a funcionária da Conservatória era fanhosa.

- Qual o nome que vai pôr à criança ?- perguntou a funcionária da Conservatória.

- Athelino – respondeu o pai.

- Adflino ? quis confirmar a funcionária.

- Xim, Athelino.

E o rapaz ficou registado como Azelino.

 

   Vai pró carago com a tua história – comenta o leitor – para dizer que a história não presta. Outros leitores dirão: Isto é do carago, como quem diz, é uma história fantástica.

    Vem isto a propósito de quê ? Do meu constante inconformismo perante algumas medidas:

   - Hoje em dia é já obrigatório o uso da Internet para comunicar com o Estado: pedidos de selos dos carros, declarações de IRS, IRC, etc. Os funcionários públicos ficam excedentários e vão pró carago.

   - Fala-se da troca gratuita de seringas nas prisões, fala-se em salas de shooting.

Ora, se prisão significa privação de liberdade, e se na liberdade do indivíduo estava incluído o consumo de droga, logo, fica privado de a consumir enquanto estiver detido.

Legalizar e promover o uso de seringas é incentivar o consumo de uma substância cujo cultivo, manufactura e comercialização são proibidos.

O poder político deve pensar assim:

Bom, se não há maneira de evitar o consumo de droga, então o melhor é dar condições de higiene e saúde aos consumidores.

Um detido que tem assegurada a dormida, a alimentação, televisão, telemóvel, droga, prefere a cadeia a andar aos caídos na rua.

O facto é que, sob o efeito de droga ou da falta dela, tem havido assaltos cuja arma é, precisamente a seringa que o Estado lhes deu gratuitamente.

Quando, qualquer dia, o porta-voz do organismo que tutela os estabelecimentos prisionais vier comentar o volume de ingresso de droga nas prisões com a intervenção activa ou passiva de alguns guardas, ou quando vier comentar a fuga de uma prisão cujo êxito foi conseguido sob a ameaça de agulhas infectadas com vírus da s.i.d.a. ou de hepatite, tapa-nos os olhos com “…não é significativo; representa 4,75% quando comparado com os países da União Europeia.

Isto é uma lei do carago. E é assim que os meus impostos vão pró carago.

2007/09/29

Ensaio para o passado

Abril 14, 2008

Ensaio para o passado

 

Por: Luís Gonçalves

 

 

À uns anus o grande chefe lugrou juntar todas as tribus e reconstruir u grande reino, comessando pur um acordo para todos falarem e escreverem da mesma maneira.

 

A preparassao foi muito meticulosa, comessando pur uma abordagem ao CEO duma grande empresa de computadores q criou e enviou pur cabo o programa pra todos os computadores de todas as tribus. A partir daquele dia, quem quisesse fazer um reqerimento tinha de saber a noba linguagem. Pra isso pagaba pur Internet 1 unidade munetaria pra descaregar a noba versom.

Agora beijasse bem o lucro:  9 milhoes de unidades safou o passibo qu reino tinha nese ano.

Parese q a lei pasou a ser entendida, comprendida i respeitada pur todos . A própria televisão q botaba ca pra fora anunsios q nem todos perssebiam.

Pur esa altura escreviasse mais ou menos assim:

“Há uns anos, alguns vestiam um fato azul às riscas e uma gravata colorida. Quem os via na televisão percebia que tinha havido uma rápida assumpção”.

Todos uns pacóvios: S não s lia agá i u pê, purque e qu eles nao escreviam logo A uns anos i assunssao?

Nada melhor qu velhinho i sábio Zé da Orta para explicar:

“ Lembrume da axinatura do acordo cumu xe foxe hoje. Cuando u chefe anumchiou emchima du coreto, foi muito coreto na maneira cumu falaba; o seu corpo estaba em ângulo reto pró adro, i a fasse retal birada ali pró rio. Foi também neste tempo em q todos reclamabam porque a chefia fechaba urgências i escolas do pobo em sítios onde perdia dinheiro. Despois os espertos compbrabam pur tuta i meia i punham aquilo a dar. Pra calar a boca do pobo, a chefia proibiu a AZAE (autoridade zeladora das asneiras contra o estado) de fechar as tascas onde o pobo se pudia reun ir i expandirse. Dizem outros      qu a AZAE era uma policia criada pra tratar da xaude dos prebericaduores.  O que se passaba- continuou o Zé da Orta – é qu eles multabam quem daba o troco com as sandes, os cozinheiros qu limpabam as mãos ao pano despois do chici, i de xeguida a bancada da cozinha. Bistas bem as cousas, eles acabaram com muita xico-espertisse, da rês de pagar pela porta do cabalo, faturabam metade du que bendiam i também mandaram que todas as casas de pastu i de bubidas tibessem um planu digiene, control da bicharada rastejante i  piolhos i lêndeas, i axim pur diante. Consuante as casas iam fechando purque nao foram capazes, so os abilidosos ou qu tibessem abilidade e qu pudiam abrir de nobo

 

Será que alguma vez me vou conseguir adaptar ao acordo ortográfico?  Deve ser desncadeado um plano nacional de realfabetização nas escolas, associações, para todos.

 Bom fim de semana aqui

A escola dos famosos

Abril 4, 2008

A Escola dos Famosos 

Por: Luís Gonçalves * (info@constancia.net)

   Fui há dias agradavelmente surpreendido pela noticia num canal de Televisão, do início de actividade de uma nova empresa cujos responsáveis, dotados de uma imensa criatividade, foram de encontro ao Ego de muitos que buscam o caminho da fama.

   É na procura deste sentimento que se baseiam as suas tarefas: ensinar pessoas a serem famosas, mostrando-lhes as vantagens e os perigos. Transpondo para os concursos das televisões, são construídos personagens famosos pelo tempo que esse concurso durar; depois, caem no abismo e na depressão.

   Creio que ouvi na apresentação da Escola dos Famosos que, por 150 Euros, cada candidato assiste a palestras e treinos por alguns dias. Pelo que entendi, havia lá pessoas que nem sabiam bem o que queriam: Queriam ser famosas, mas não serem muito conhecidas.

      Zé do Telhado e Robin dos Bosques são famosos; a sua fama continuou viva para além da sua morte porque, durante toda a vida, perseguiram o objectivo a que se propuseram; e conseguiram resultados !…

   Uma casa comercial pode ser famosa pela sua decoração, pelo bem-estar que proporciona, pelas características que a diferenciam das outras do mesmo ramo, pela qualidade dos seus produtos, pela capacidade de renovar e inovar para que o cliente perceba que aí se trabalha para ele.

   O mal é que muitas vezes criamos fama e deitamo-nos a dormir. A queda é rápida.

    Todos nós podemos ser famosos no meio que nos rodeia. E para que queremos outro?

     Basta, para isso, executarmos as nossas tarefas que nos são incumbidas com profissionalismo, com criatividade, com uma boa dose de marketing, com capacidade para criar e contar ao publico interno ou externo histórias com tudo aquilo que fazemos, porque, afinal, tudo tem uma história. Assim veremos os clientes repetirem a sua visita ao nosso estabelecimento; que pode não ser o melhor, mas porque encontra sempre um atendimento correcto e uma história para ouvir e uma experiência nova para viver.

Quando, a maioria dos visitantes disser, vamos ao Albino, em vez de dizer vamos ao Restaurante Panorama, o Albino, que até pode ser um empregado atingiu os níveis da fama, e neles sabe manter-se.

* autor do livro Histórias d’Hotel