Constância encontrou, finalmente a sua vocação.
O centro histórico, que, pelo menos para vários propósitos, abrange a zona que vai desde as margens dos rios Zêzere e Tejo até à Estrada Nacional 3, passsando por becos ruinhas, ruas e ruelas, escadinhas e miradouros, foi, este fim de semana, cenário da representação teatral de cenas da épica obra de Homero.
Foi a Homero e a Virgilio que Luis de Camões foi buscar a forma de cantar os ilustres feitros lusitanos, inspirados pelas Tágides e Ninfas, sob o olhar apreeensivo de alguns membros do Olimpo que, em concilio presidido por Jupiter decidiram dar um voto de confiança aos Portugueses no empreendimento da árdua tarefa de espalhar por toda a parte a Fé e a Cristandade.
Após a tomada de Troia pelos Gregos, e ainda segundo a Ilíada, Eneias rumou a Cartago onde fundaria a nova cidade em substituição de Troia.
O reerguer de um povo foi o auge de toda a representação encerrada pela ópera de Purcel.
Muita pena tenho de os meus afazeres profissionais não me terem permitido ver de perto e ininterruptamente toda esta bela acção histórica cujas cenas decorreram em diversos pontos do centro histórico.
Isto é a combinação perfeita entre turismo e cultura, uma alternativa à música de concertos estilo metálica e afins, que, por causa da lei do ruído não pode ter lugar em
locais como o centro histórico de Constância.
A própria configuração da Praça, ruelas e miradouros sugere uma animação periódica baseada mais em actividades de teatro, concertos de musica instrumental antiga e tradicional de várias regiões.
Foi um gosto ouvir os clientes da Casa João Chagas dizerem: “que pena já ter acabado. Quando há mais?”.
Os concertos de elevados decibeis que fazem estremecer janelas, portas, mobilias, raxadelas em paredes, são bem vindos, desde que aconteçam em locais abertos próprios, que, em artigos publicados no Jornal de Abrantes chamei ZAN’s ou PAN’s
(Zonas ou Parques de Animação Nocturna). É a isto que levará o cumprimento da lei, que não pde ser mudada por uma autarquia, só porque meia dúzia de pessoas, inspiradas, se calhar, por alguma mente dominada pelo micróbio da ignorância, resolveu declarar não se sentirem incomodadas com alguma antena de automóvel partida, alguém sofrer um ataque cardiaco ou se alguém ficar surdo.
Constância está a mudar, e o mesmo elenco mantém-se. Ainda bem que assim é. Por aquilo que observo, já é permitida a publicitação de marcas comerciais que, ao fim e ao cabo, são a sustentabilidade económica de uma região, de uma vila, aldeia, de uma cidade.
Se o profissionalismo dos organizadores está de parabéns, não é menos de louvar o empenho, a entrega e dedicação dos participantes voluntários na peça, quase todos eles de Constância.
Constância, 14 de Julho de 2008
LG