A crise mundial à mesa do café

By lgonzalik

Por: Luís Gonçalves

   Nunca me teria apercebido da quantidade de analistas de economia, se não fosse a crise que, de uma forma subita, se instalou em todos os países, ao ponto de um deles estar quase a decretar falência, sendo, pois, um alvo fácil das aves de rapina que começam a sobrevoar tudo o que fica parado.

Cada um opina à sua maneira:

- Isto é a comunicação social a falar, ao serviço dos americanos, por causa das eleições- diz um;

- Acho que é para fazer baixar o preço do petróleo; não conseguem vencer a guerra, acenam com uma crise para os paises produtores de petróleo pensarem que a economia baixou, para os fazer baixar o preço do barril, diz outro.

- Como é que os bancos estão em crise, se continuam a fazer publicidade em jornais e televisões, prospectos, outdoors, etc.? E quem diz os bancos diz a EDP, PT, com lucros fabulosos, estas empresas não precisam de publicidade, porque não têm concorrência. Têm o mercado assegurado. É como no hospital; clientes não faltam. Já agora, anos e anos consecutivos a dar lucros crescentes como é que, de repente, os bancos pedem ajuda ao Estado?

O meu amigo José iluminou o espírito dos presentes ; 

Assim é que se gerou a crise americana:


O Sr.  Aires tinha um bar  em Canidelo , e decide que vai passar vender a crédito as bebidas de rolha (whisky, licor, aguradente) aos eus clientes habituais, quase todos em permanente estado de embriaguês e desempregados.

  Manda fazer umas cadernetas, uma para cada um, onde é registada a sua conta-corrente.

Como vende a crédito, pode aumentar os preços,  realizando assim,  um aumento nas vendas de mais de cem por cento.

 
O novo gerente do banco do Sr.Aires,  querendo fazer jus do seu mestrado em gestão e administração e do diploma comprovando a sua participação num seminário de marketing que durou 1 hora,  decide que, afinal, as cadernetas dos do bar constituem,  um activo cobrável a curto prazo, e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento,  sendo fiador o Sr. Aires.

   Esses adiantamentos de dinheiro permitiram ao Sr. Aires satisfazer o desejo das esposas de alguns dos seus clientes; criar uma merceraia para vender também a crédito.

  O staff do banco, liderado pelo gerente, colocam em bolsa os titulos de dívida do agora pomposo CANIDELO SPIRIT  AND FOOD SHOP RESORT, transformando as cadernetas dos calotes em AC, CCP, TDP, OPC, OPV, e outros termos financeiros cujo significado ninguém sabe.

   Estes produtos financeiros – os titulos de dívida do Sr. Aires, são negociados como títulos sérios, com musculadas  garantias reais,  nos mercados de 70 países.

Até que alguém descobre que os bêbados de Canidelo não têm dinheiro para pagar as contas, e o Bar e a mercearia do Sr. Aires vão à falência. E tudo o vento levou!

O meu amigo José foi nomeado consultor financeiro da Casa Branca.
 

                                                                                                                 

 

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