Gerir na crise
Opiniao de: Luís Gonçalves
Antes de mais, esclareço que o título devia ser “Gerir em ambiente de crise” para não confundir com “Gerir a Crise” –papel reservado exclusivamente aos agentes da PEG (Politia Económica Global) cuja função é tirar maior proveito dela.
Refiro-me, antes, ao comum dos gestores, sejam eles domésticos, empresariais ou publicos.
A experiência evidencia que as crises são passageiras, tendendo ao regresso da normalidade depois de terem cumprido a sua função: Regenerar e mudar o modus operandi dos agentes envolvidos.
· Gerir o lar passa por racionalizar a utilização das energias, usar menos o telemovel, andar a pé 1 ou 2 Km em vez de ir de carro, repartir a utilização do veiculo de transporte individual com vizinhos, familiares e amigos, comprar o estritamente necessário, não acreditar cegamente na sorte ao jogo, etc.
· Os clubes de futebol deviam requisitar aos Centros de Emprego desempregados ou jovens à procura de 1º emprego, dar-lhes formação desportiva e pagar-lhes 10% dos salarios dos craques.
· Um bom exemplo para todos era os gestores publicos se deslocarem em transportes publicos para os seus postos de trabalho, que prescindissem do cartão de crédito, que gerissem eficazmente o control de utilizaçao das viaturas adstritas aos serviços, racionalizando tempos, quilómetros e recursos humanos.
· Os gestores privados não podem entrar em pânico. Para começar, há que adoptar um espirito de combate e não derrotista. Esta crise coloca aos gestores os mais elevados desafios por que alguma vez passaram. Só sobrevivem aqueles que, ao invés de seguirem o caminho fácil, definam uma gestão estratégica que lhes assegure o êxito logo que este ciclo negativo esteja ultrapassado.
Os tres eixos fundamentais da gestao estategica são:
1-Optimização das vendas
Baixar indescriminadamente os preços desacredita o produto e afugenta o consumidor, cuja reconquista, daqui a meses, representa um enorme investimento, de retorno duvidoso. Esta crise poderá reajustar a procura.
Vender barato é fácil. Vender melhor é a palavra de ordem.
A inovaçao do serviço, a criatividade posta na adopçao de novos produtos, a utilizacao de relaçoes publicas para ter a percepçao das preferencias dos consumidores, a venda oportuna, ou seja, se o mercado está disposto a pagar o preço do nosso produto, é uma oportunidade a não perder. E, neste sentido, não é fácil ser-se oportunista. A isto se chama vender melhor.
2- Melhoria da produtividade
Não necessariamente dispensar recursos humanos; os custos de formação de novos colaboradores são elevados; mas investir nos seus conhecimentos, motivá-los para o sucesso, e para a cultura empresarial. Mostrar-lhes a sua comparticipação no sucesso ou insucesso.
3- Controle de Custos
Mesmo os custos financeiros até aqui incontroláveis, devem ser renegociados. Os custos discricionários, ou seja aqueles em que a acção do gestor pode influenciar, desde os fixos, semi-fixos, indirectos e os directamente relacionados com a venda devem ser objecto de acompanhamento. Não é substituir o bife do lombo pelo da rabadilha, porque o consumidos apercebia-se e não voltava. Mas negociar melhores preços e condições de fornecimento em nada influencia a fidelidade do cliente.