NEGÓCIOS DA CHINA
Durante vários anos que a Espanha ocupava o 3º lugar na longa lista de países receptores de turistas do mundo inteiro. Em 2010 a China arrebatou-lhe o lugar no pódium. Segundo a OMT (Organização Mundial do Turismo) a França continua em primeiro lugar no turismo receptivo, tendo acolhido 76,8 milhões de turistas em 2010, seguindo-se os EUA com 59,7 milhões, a China com 55,7 (um importante crescimento de 9,4% num ano), a Espanha com 36,5 milhões de entradas de turistas internacionais.
A Espanha continua, mesmo assim, a ocupar o 2º lugar na receita turística global, devido à especificidade da sua
oferta turística balnear que atrai turistas para longas estadias, aumentando, assim o gasto médio por turista.
Calcula-se que daqui a meia dúzia de anos, dois terços do tráfego intercontinental seja composto pela China e India e um terço pelo resto do mundo, substituindo, claramente os 54,1 milhões de alemães que anualmente partem para férias no estrangeiro.
A actividade turística é, na realidade, Turismo a ferramenta mais importante para combater crises.
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De acordo com o diálogo que se segue ocorrido por volta do ano de 2015,
o mundo ocidental foi o grande responsável pelo despertar da China: Naquela solarenga manhã, avô e neto passeavam
no parque relvado paralelo à Grande Avenida, admirando, de um lado, árvores
viçosas, lagos, fontes, recantos, quedas de água e, do outro lado, quilómetros de edifícios
esqueléticos.
- Avô, o que são aquelas casas velhas, sem janelas, sem portas, todas escuras, tão feias?
- Foi ali que eu passei os melhores anos da minha vida. Toda aquela extensão de edifícios que tu vês eram fábricas que produziam tudo o que era necessário para a vida deste país . E exportávamos. Era o maior complexo industrial constituído por fabricas que entre si eram auto-suficientes. Foi com o salário que lá ganhava que construí o lar com a tua avó, criámos o teu pai sem que nada lhe faltasse, demos-lhe uma ferramenta para a vida, um curso universitário. Eu era muito feliz. Saía do emprego ao toque da sirene às 17 horas, ia para casa refrescar-me, mudar de roupa para depois sair com a tua avó e teu pai que era do teu tamanho.
- Mas agora não trabalha lá ninguém?
- Agora não, por causa da ganância de uma nova classe: aquela que procura ganhar mais e gastar menos…
- Isso é fixe, avô.
- Parece, mas vais ver que não é. Descobriram que se a produção fosse assegurada pela China, os custos de produção eram muito mais baixos, cerca de 40%, devido aos baixos salários e ausência de muitas regalias sociais. Vendendo pelo mesmo preço, o lucro aumentava
exponencialmente. A propriedade da marca continuava nossa, detendo, por isso, direitos exclusivos de comercialização. Deixando de ser necessário manter estas fábricas abertas porque a China cumpria prazos, os Operários foram dispensados. Nós, donos reais das marcas, mas não da produção, limitávamo-nos a colocar no mercado o que os outros produziam sob a nossa licença. Até ao momento em que os
chineses- verdadeiros donos da produção- modernizaram todo o seu equipamento, inventaram modelos mais versáteis, iniciaram o processo de domínio sobre os mercados, criando “muralhas comerciais da China” em vários países (pontos recepção e colocação no mercado exclusivamente dos seus produtos). Agora só temos os direitos comerciais mas que não nos servem de nada, porque os donos da produção
são os verdadeiros donos do mercado.
- Mas podemos reabrir estas fábricas e voltarmos a ser autónomos, sem depender de ninguém…
- Meu filho: Todo o conhecimento passou para os chineses,. Eles já nos ultrapassaram tecnologicamente. O custo de tornar operacionais estas unidades fabris, reaprender todo o processo e técnicas, reconquistar os mercados era tão onerosa que eram precisos 20 anos a operar 100 por cento para conseguir pagar. E, no fim, todo o equipamento tinhade ser substituído.
* Eles são especialistas em explorar a ganância e anti-patriotismo dos outros.
- Que é isso?
- Ganância é querer ganhar desmesuradamente sem olhar a meios. É anti-patriota quem procura lá fora o que existe cá, com a mesma ou melhor qualidade; quem esquece que aqui também se produzem coisas úteis, bonitas e com qualidade; São gestos que, individualmente parecem pequenos mas, no seu conjunto, comprometem a eficiência económica de uma região, de um país, a independência cultural e económica de um povo.
- Será sempre assim, avô?
- Tudo depende da própria China; se souber aproveitar esta onda de êxito para melhorar as condições de vida dos cidadãos, sim, tem futuro. Quando, pelo contrário, os chineses que trabalham por uma tigela de arroz abrirem os olhos e começarem a reinvindicar os seus justos direitos , as autoridades terão muita dificuldade em dominar rebeliões demilhões de chineses. E o fim poderá estar próximo. http://www.facebook.com/montalvoconventual?v=wall&ref=mf