Arquivos para a Categoria ‘Memórias de infância’

Aveiro e Eu

Janeiro 5, 2009

 Qualquer coisa me atrai a Aveiro quando, raramente,  me desloco à minha terra natal, algures no Douro Litoral, distrito do Porto.

Lembro-me que, há cerca de 45 anos, fui a  Aveiro numa excursão organizada pela escola primária da minha aldeia. Ainda hoje guardo a imagem que, na altura me despertou a incredulidade: carros a andar naquela imensidão de água !!!… Os unicos carros que, na minha terra eu via passar, eram o do Sr. Abade depois da Missa e o do Enfermeiro que passava pelas 9 da manha para baixo e perto das 18 horas para cima. Era esse o meu relogio. Esse e o da buzina da camioneta de correio.

O meu pai tinha-me dado vinte e cinco tostões para eu beber uma gasosa se tivesse sede. Para almoço tinha os bolinhos de bacalhau, arrozinho e broa  que a minha mãe tinha posto no cestinho. Mas eu passei sede, porque vi outros miudos com um io-io. E eu também queria ter um. Custou-me 2 escudos.

 

   Com 12 anos fui estudar para o Colegio Salesiano de Arouca durante 2 anos. No meu segundo ano fui, com os meus colegas, de excursão a Mogofores para almoçar e visitar o Colégio Salesiano de Mogofores.

   Muito mais tarde, com os meus vinte e poucos anos, era director comercial de um hotel na zona do Estoril e, quase todos os anos fazia promoção em Portugal e Espanha, passando sempre por Aveiro. Aqui visitava, entre outros profissionais de turismo, o Sr. Ferreira da Visa.

   Há dois anos resolvi que, se praticasse piano, aliviaria a pressão da vida (modernamente chamado stress), e resolvi ir a uma escola de musica em Torres Novas. À Sara João que eu muito admiro pessoal e profissionalmente, que, semanalmente se deslocava 2 vezes de Aveiro à Escola de musica Choral Phidellius muito agradeço ter-me feito compreender que a musica é algo que se aprende todos os dias, que nos deixa mais revigorados enfrentar os problemas da vida.

   E , 3 dias antes do Natal, quando iniciei o meu periodo anual de ferias de 8 dias, a minha primeira paragem foi em Aveiro onde almocei muito bem no Atlântico. Aveiro atrai-me.

Luis Goncalves

Recantos de Portugal

 

A Regeneração

Dezembro 15, 2008

A Regeneração

Por: Luís Gonçalves

 

    O Governador de Wonderlandia acordou perante um dilema:

- Acudir às actividades  economicas que atravessavam graves problemas , ou deixar afundar as empresas que não conseguissem boiar?

    Chamou de imediato os seus vizires de todos os vértices politicos: Conservadores, Progressistas e Regeneradores. O Governador sempre tinha decidido à luz da sua inteligência e bom senso, mas este era um caso bicudo que devia ser discutido.

O poder era alternado: num periodo os conservadores; noutro os progressistas; os regeneradores não eram chamados pois havia o receio de fazerem alterações profundas.

Quando uns estavam perto do poder politico, os outros detinham o poder económico, e vice-versa.

E depois, legislava-se de acordo com os intresses economicos, por exemplo:

A mulher de um empresário encontra no cabeleireiro a mulher de um vizir:

“- Ai, Lurdinhas, que bonito estar grávida; quando espera o nascimento?

“- Lá para Março…”

“- É menino ou menina… “

“-Menina, diz o físico…

“-Havia de ver, Lurdinhas, as chuchas que um amigo do meu marido inventou; de cor de rosa, tem um detector de comichões. Assim, quando o bébé se aflige o detector acciona uma esponjazinha que fricciona a pele.

O bébé nasceu, foi-lhe dada a chucha-maravilha, pegou moda, e, consequentemente, a invenção foi declarada de interesse para a saúde publica, na medida em que eliminava o stress precoce.

A partir daí foram inventadas soluções para os adultos carentes. Foi o negocio da China.

- Ai, Sr. Governador; temos de fazer hoje a reunião? É que é sexta-feira…

- E daí? O Povo paga-te para quê? Qual é o teu problema?

-É que tinha marcado para hoje uma viagem à Caledónia…

- Os interesses do povo de Wonderlandia estão em primeiro lugar. Se vês que  não és capaz de bem desempenhar esta função, se não gostas de cá estar, pôe o teu lugar à disposição…

Assim se iniciou a reunião:

- Como sabem isto tomou um rumo que ninguém esperava. Preciso de decidir o que fazer da economia do território…

- A culpa é dos conservadores quando estavam à frente do sector !, disse um progressista- com salários e bonificações 10 vezes superiores ao RPC…

- E vocês hipotecaram o território com as V. ilusôes; aumentaram o rendimento per capita,  mas alteravam os balanços para  mais um zero, aumentavam o valor nominal, fraccionavam o capital e punham-no à venda na praça e, metiam metade no vosso bolso. Ao fim e ao cabo não passava de uma trafulhice e ilusão para quem comprava. Era o jogo da roleta; a única coisa que estava garantida era a vossa parte.

- Pelos nossos cálculos, é necessário injectar 2500 milhões de Dinares para revitalizar a economia- informou o representante dos progressistas…

- A questão que se põe é: se não acudirmos, o desemprego dispara e o consumo interno diminui drasticamente…

-Se não tem capacidade para se manter, que feche as portas. Injectar capital significa continuar o jogo da batota, altos ordenados, prostituição económica, benesses, dominio do mercado, exploração dos desprotegidos– disse o representante dos Regeneradores. –  Já ouvi o suficiente… Dentro de dias saberão a minha decisão. Assim o Governador terminou a reunião para, de seguida,  reunir com tecnicos dos diversos sectores de actividade.

Não foi dado qualquer subsidio directo às empresas. As que não se aguentaram fecharam. Foi promovida a criaçao de grupos de desempregados de acordo com as capacidades rofissionais,  que, de seguida se transformaram em sociedades de produção e exploração. A estas sociedades foi imposta a garantia satisfação das necessidades do mercado interno, ou, então repunham o subsídio recebido.

 

Nota: Depois de cerca de 6086 horas de trabalho vou gozar cerca de 136 horas de ferias. Mas fui eu que esclheu o caminho da escravatura.

Feliz Natal a todos.

Votos de um excelente 2009